Tag Archives: fotos

Budismo: não esperar é não sofrer

19 jan

Por Alana Santos



Religião? Filosofia? Doutrina? Você decide. Assim é o Budismo, que tem adeptos cristãos, ateus, muçulmanos, e por aí vai. Os princípios budistas não se referem a uma ligação com um ser superior, mas a você e ao mundo que o cerca, ao agora.

As práticas budistas são baseadas nos ensinamentos de Siddhartha Gautama, “O Buda”, que falou sobre as Quatro Nobres Verdades: apegar-se é sofrer, o desejo é o sofrimento, abandonar o desejo é parar de sofrer e o Nobre Caminho Óctuplo (entendimento correto, pensamento correto, palavra correta, atividade correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção correta e concentração correta).  Para o Budismo tudo o que uma pessoa vive é uma construção mental própria do ser humano, formada por um conjunto de valores criados pelo “todo” social. É isso que forma a “matrix”, e é essa a causa do sofrimento (samsara), que tem o apego como pilar (desde coisas materiais até temporais, como viver só no passado ou só no futuro). O objetivo do budismo é a libertação do samsara e o alcance da realidade verdadeira, da paz absoluta (o Nirvana). Assim, fazer o bem e cultivar a própria mente são os meios de praticar a ética budista.

E Ioná Pinheiro, 34, faz isso muito bem. Praticante desde 1998, ela começou a participar de um grupo budista através de um amigo e, juntos, decidiram ter uma sala própria em 2000. Foi quando surgiu em Manaus o centro de budismo tibetano vajrayana, filiado ao templo budista em Três Coroas – RS. O centro é ligado à fundação Chagdud Gonpa Trom Gue Phel Ling, no Tibete, e foi fundada pelo mestre de meditação S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche (1930 – 2002).

Mestre de meditação S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche (1930 – 2002)

Ioná já foi católica praticante. Participava de grupos de jovens, trabalhava na pastoral do menor e sempre teve uma forte conotação espiritual. Ela decidiu trocar totalmente o catolicismo pelo budismo, quando descobriu que não precisava se julgar culpada por tudo, e se arrepender por isso, mas que era responsável pelos outros e pelo o mundo. Assim, descobriu que era capaz de mudar: “Se você não tem uma atitude muito boa, se você mente, é agressivo, isso é um pecado e é um peso. No budismo não existe o conceito de pecado. Se você tem algo que não é virtuoso, você pode purificar, pacificar. Essa foi a grande diferença pra mim. Conseguir mudar, não ter um caminho trilhado, vindo de antepassados, de Adão e Eva”. Inicialmente, a mãe de Ioná teve receio quanto à opção da filha, mas depois percebeu que algo havia mudado. “Hoje ela me apóia. Para outros praticantes, isso já é mais difícil”.

“Você tem que trabalhar o no hope, no fear: ter uma ação e não esperar nada dessa ação, porque se você não espera, você não sofre”

É o que acontece com Jackson Rego, 44. Ele e a família são cristãos e vão à missa. Mas quando ele está meditando, ainda dizem que é uma perda de tempo.Quando você está meditando, você está louvando a Deus. Você está buscando compreensão de que existe um ser superior”. Faz 5 anos que Jackson está no centro de budismo tibetano vajrayana, em Manaus, e pratica tanto o ensinamento cristão quanto o budista: “O budismo tem essa vertente do aqui e agora, e isso foi o que mais me chamou a atenção. Você perceber a realidade como ela é, e, a partir dessa percepção, agir no mundo. E, principalmente, a questão ética de você compreender e buscar a harmonia com o todo, com as pessoas, na sua cidade, no meio ambiente”.

Apesar de a palavra “budismo” ser conhecida, para Ioná ainda existem vários mitos em relação ao “ser budista”. Um deles é: se as pessoas acreditam em um deus, e você contraria esse conceito, elas se assustam.  “As pessoas sempre buscam um diferencial em você, quando você é budista. Elas esperam uma reação diferente. Tive um namorado que, quando eu disse que era budista, ele perguntou: por que você não me falou que era budista? Mas quando as pessoas se apresentam, elas não dizem que são católicas”. Outro diz respeito à passividade. Ser pacífico não é ser passivo.  “Você pode ser pacífico em qualquer religião que você acredita, se você praticar verdadeiramente. E dentro de qualquer ramo, seja o profissional ou familiar. E é isso que o budismo prega. Ser ético é o conceito maior”.

“Quando você vive o momento presente você vive intensamente, é o que se chama felicidade temporária”

A prática

Em Manaus é feita a prática da Tara Vermelha (simboliza o aspecto feminino de Buda), baseada no budismo tibetano Vajraiana, da linhagem Nyingma. Ela se inicia com a prática de Sete Linhas, uma curta oração da tradição Nyngma, com os ensinamentos do Budismo. Depois acontece o desenvolvimento: a autovisualização da deidade (conjunto de forças que materializam o divino) principal da prática. No final, faz-se a dedicação da prática: consideram-se outras pessoas que não puderam estar presentes, e os Lamas (mestres) são lembrados.

A prática budista trabalha com o que você usa no cotidiano: ação, mente e fala. Então, existe a parte meditacional, a dos mantras e a dos mudras. Os mantras trabalham a fala, e os mudras, os gestos.

Qualquer pessoa pode fazer a prática da Tara Vermelha, mas apenas quem já foi iniciado por um Lama pode se autovisualizar como uma deidade. Em outras práticas só se permite o iniciado.

De acordo com Ioná, a prática trabalha o momento presente, a mente. “O budismo te prepara para o momento da tua morte. O único caminho em que você encontra iluminação é você como humano. Se você não trabalha a questão emocional, as suas emoções se misturam no momento da morte. Se você morrer em um momento de raiva, de angústia, você pode ter um renascimento no reino dos infernos ,ou, em outros reinos. Por isso que se trabalha a mente, para que na morte você tenha uma mente tranqüila.”

História

Siddhartha Gautama, o Buda, foi o homem que criou o budismo, que começou na Índia, entre os séculos VI e IV a.C. Ele era um príncipe no clã dos Sákya, especialista em artes marciais que nunca tinha visto a realidade fora das paredes do castelo. Aos 29 anos abandonou todo o conforto, adotando uma vida errante. Procurou paz nas religiões da época, aprendendo várias técnicas meditativas. Chegou a praticar o ascetismo (busca a iluminação pela mortificação do corpo) por seis anos. Finalmente, depois de uma meditação, descobriu a solução para o ciclo do sofrimento das pessoas.

"Existe uma esfera onde não é terra, nem água, nem fogo, nem ar... que não é nem este mundo e nem outro, nem sol e nem lua. Eu nego que esteja vindo ou indo, que permanece e que seja morte ou nascimento. É simplesmente o fim do sofrimento. Essencialmente todos os seres vivos são Budas, dotados de sabedoria e virtude, mas como a mente humana se inverteu através do pensamento ilusório, não o conseguem perceber".


Aos 35 anos, Siddhartha tornou-se Buda e, junto com os seus primeiros discípulos, formou a primeira comunidade monástica. Então, dedicou a vida inteira aos ensinamentos budistas, sem deixar nada escrito.

Os ensinamentos de Buda começaram a ser escritos por volta do século I a.C, no Sri Lanka, e constituíram o Cânone Pali, a principal coleção de textos que baseiam o Budismo Therevada.

O budismo se dividiu em várias escolas, mas as principais são:

Mahayana

A pessoa busca a própria iluminação e ajuda os outros a também evoluírem espiritualmente.

ZenUma das principais tradições da Mahayana. Valorizam a meditação sentada e o uso de paradoxos nos seus ensinamentos.

Theravada

O praticante busca sozinho a iluminação, através da meditação e de uma conduta que esteja de acordo com a doutrina de Buda. É a tradição mais antiga ainda presente.

Vajrayana

Valoriza a visualização, recitação e meditação. É predominante no Tibete.

No Brasil, a escola Nitiren (do Japão) foi uma das que mais se destacou. O Budismo Tibetano e o Soto Zen também possuem uma grande repercussão no país.

Para saber mais

Dharmanet

Chagdud

Odsalling

Local de Prática em Manaus

Budismo Tibetano Vajrayana – Chagdud Gonpa Trom Gue Phel Ling

Rua Comércio II – Centro Comercial Ilha do Parque – Sala 6 – Parque 10.

Anúncios

Itacoatiara desvairada

1 jan

Por Alana Santos


Saindo de Manaus




Rua Principal de Itacoatiara




Orla de Itacoatiara – 31/12/2009




Praça da Catedral

Pedra histórica que deu origem ao nome Itacoatiara (pedra gravada, esculpida, lavrada)

1744 a 1754; cruz com três degraus; palavra “Tropa”. Essa palavra simboliza o período de colonização, pelos portugueses, do Amazonas. Na época, os jesuítas vinham catequizar os índios com a proteção dos soldados (“tropa”).


Estrada

Igrejinha na estrada




Chegando em Manaus

Itacoatiara????

**Pessoal, apreciem a cidade, porque a câmera é do século passado (a culpa nem sempre é do fotógrafo hehe)

A Pedra Histórica deu origem ao nome Itacoatiara (pedra gravada, esculpida, lavrada)

Um belo dia para passear

26 out

Foto-A0110compacta

1 minuto depois …

Foto-A0111compacta

E não se esqueça de usar sapatos confortáveis ...

Laborum Meta (a meta do trabalho)**

5 nov

Por Alana Santos e Fabíola Abess

Uma câmera simples na mão e uma pauta para cobrir: o dia dos finados nos cemitérios de Manaus.

O que as pessoas fazem em um cemitério, além de acender velas e rezar pelos entes queridos?

Comercializam, pedem dinheiro, pregam, fazem um pouco de marketing político e pessoal…

– Areeeiiiiiiiaaaa…

– Cocaaaaaa, fantaaaaa, águaaaaaa…


O cemitério

p1010755

p1010901

O Cemitério São João Batista foi inaugurado em 5 de abril de 1891 pelo médico Aprígio Martins de Menezes, sepultado no dia 19 do mesmo mês.

Em 1905, o Superintendente Municipal Adolpho Lisboa mandou construir um muro de alvenaria, um gradil e pórticos de ferro fundido, fabricados em Glasgow, na Escócia.

GARCIA, Etelvina. Manaus, Referências da História: 2ª edição revisada. Manaus. Editora Norma. 2005.

A beleza do mórbido

O cemitério está deixando de ser apenas um local visitado pelas pessoas que perderam um ente querido. Há uma importância cultural e arquitetônica, porque lá estão sepultadas figuras importantes da política, das artes e da cultura de um lugar, assim como as construções que identificam uma época.

Alguns cemitérios já estão inseridos nos roteiros turísticos de algumas cidades, como o cemitério Père Lachaise em Paris, e o Cemitério Nacional de Arlington, em Washington, onde estão os túmulos dos soldados mortos nos combates das duas grandes guerras mundiais e do Presidente John Kennedy. Em São Paulo, o túmulo de Ayrton Senna é visitado pelos turistas que chegam à cidade.

Na Baricéa não é diferente. Há um projeto da prefeitura para transformar o cemitério São João Batista em um corredor cultural, com visita de turistas e estudantes. O objetivo é a educação patrimonial para a conservação dos bens.

Os gradis e os vitrais, assim como algumas sepulturas, já estão sendo restauradas. É possível encontrar beleza e valor em coisas que muitas vezes passam despercebidas. Lá você pode encontrar uma lápide, um túmulo e, principalmente, histórias bem interessantes.

p1010773

p1010787

p1010886

O rabino

O blog Baricéa Desvairada encontrou o pesquisador Arieh Lins da USP, que estava entrevistando os visitantes do cemitério São João Batista. Ele está fazendo uma pesquisa de doutorado sobre a Emigração Judaica na Amazônia e contou um pouco da história do rabino Muyal.

O rabino Shalom Imanu – El Muyal morreu no dia 12 de março de 1910 em Manaus. O rabino morreu de febre amarela e, como na época não existia um cemitério israelita na cidade, foi sepultado no cemitério católico São João Batista.

p1010783

Depois de alguns anos, placas começaram a aparecer na sepultura do rabino para agradecer por graças alcançadas. Com o tempo, o costume judaico de colocar uma pedra sobre a sepultura também foi adotado, por causa disso a comunidade judaica percebeu que El Muyal tinha virado um santo para os católicos de Manaus.

p1010781

Em 1980, o sobrinho do rabino, Eliahu Muyal, membro do Parlamento de Israel e Vice Ministro dos Transportes, tentou transferir os restos mortais do tio para Israel através do professor Samuel Benchimol, presidente da comunidade israelita no Amazonas. Mas o pedido não foi aprovado. A transferência do corpo do rabino poderia causar uma revolta na população católica da época.

Outros personagens

A santa

p10107851

Etelvina nasceu no Ceará e veio para Manaus com o pai, na época da extração da borracha, entre 1860 e 1910. Ela foi assassinada por um homem que, em seguida, cometeu suicídio. Ele era apaixonado por Etelvina. Os corpos foram encontrados em forma de cruz. Santa Etelvina nunca foi canonizada pela Igreja Católica.

A foliã

p1010856

Ária Ramos foi uma violinista no periodo áureo da borracha. Ela foi assassinada, acidentalmente, em 1915, em um baile no Ideal Clube, em Manaus. Um dos rapazes apaixonados por ela começou a brigar com o outro, quando tirou uma arma e disparou, atingindo por engano Ária Ramos. Ela foi enterrada no cemitério São João Batista e uma estátua foi erguida no local.


**Laborum Meta: inscrição encontrada no pórtico do cemitério São João Batista.

Pontos de Manaus II

22 out

Por Alana Santos e Fabíola Abess

**Todas as fotos foram feitas para um trabalho da matéria Fotojornalismo, da Universidade Federal do Amazonas.

Relógio Municipal

Palácio Rio Negro

Ponte da 7 de setembro

Pontos de Manaus

20 out

Por Alana Santos e Fabíola Abess

Fotografar é fazer arte. É ampliar o olhar para os detalhes do ser humano e da sua participação na realidade. São os momentos decisivos que fazem as melhores fotos. Paciência, percepção e técnica são alguns elementos essenciais para uma boa composição.

O blog Baricéa Desvairada, como um experimento de duas alunas de jornalismo, mostra alguns pontos de Manaus.

Largo São Sebastião

Palácio da Justiça

Igreja da Matriz


Mais fotos em breve…

Pega Ladrão!

16 out

Por Alana Santos e Fabíola Abess

10h15min. Sol escaldante. Avenida sete de setembro. Centro da Cidade. Manaus.

Uma pequena multidão se forma logo em frente à Praça do Relógio.

Uma cena comum na Barelândia.

– Pega…

As pessoas começaram a correr atrás do ladrão

– Pega ladrããoo!!!

ASSALTO!

Momento em que cercaram o ladrão na lanchonete