Tag Archives: Comportamento

Geração pseudo-Chandon

15 ago

Por Fabíola Abess

Rodinha típica feita por integrantes dos ´´Chandons´´.Por amizade hereditária acabamos por frequentar festas ou fazer favores que nossos pais pedem encarecidamente em nome da amizade que mantém por algumas décadas como bons vizinhos. E foi assim que cresci na Cidade Nova, acredito que a ´´geração pseudo-chandon´´ exista no mundo todo, mas a coisa vira e mexe, continua em qualquer lugar. Até aqui no Amazonas, para você que nunca pisou aqui e acredita ser impossível devido o ´´primitivismo de cá´´.

Mais uma vez em nome dessa amizade bairrista e solidária que não existe nos condomínios fechados e persiste nos veementemente chamados ´´conjuntos´´ que nada mais são bairros.

Sobrou para quem escreveu esse texto.

adolescentes manifestando os primeiros efeitos da vodka.

A amizade é da minha mãe com as vizinhas, o laço de solidariedade é admirável até certo ponto, além do mais são 25 anos de bairro. E o limite é o da hereditariedade ´´- Filho, ajudei na festa de aniversário da filha da fulana. Ela faz questão que você vá´´. O grande problema é que o importante ´´é que você vá´´, independente do grau de afinidade com as pessoas que estarão lá. Então, o favor é encarado como uma experiência antropológica, nada mais. Escrever sobre a ´´geração pseudo-chandon´´ no Baricéa parece uma afronta aos que admiram a importância de debater determinadas pautas, como política, política e política (principalmente nesse meio período eleitoreiro…). Manaus, você é COSMOPOLITA e até agora não expliquei que diabos é ´´geração pseudo-chandon´´. (Os colegas tuiteiros já sacaram). Pois bem, ´´geração pseudo-chandon´´ normalmente é aquela turma da qual muita gente como eu e provavelmente você, meu fiel ou esporádico leitor já foi excluído e não fez a menor questão de fazer parte. Alguns freqüentam escolas particulares e vivem de aparência, vão às festinhas top da cidade e parecem ser gente boa, mas agem exatamente (ou não) como aqueles que os mesmos julgam ´´frequentadores de bregas com telhado de zinco e chão batido´´. Os meninos são tão ´´galerosos´´* quanto os próprios galerosos e as meninas são até mais ´´periguetes´´* que as originais. Pior que ter dinheiro é fingir ter. Dever ´´Deus e o mundo´´ e morar alugado não deveria acontecer com quem tem dinheiro… (teoricamente…). A intenção não é ser preconceituoso, apenas dividir essa impressão com algumas outras pessoas, porque não existe opinião inédita nesse mundo.

Depois de duas ou três latinhas, mais um pouco de vodka já não sabem nem mais o próprio nome, geralmente eles acabaram de entrar para maioridade, o perigo é maior com as meninas que depois de beber até perder o equilíbrio e a vergonha acabam vendo o resultado depois de nove meses. As roupas são da moda, as saias cobrem o abdômen e descobrem as pernas, o mesmo acontece com os shorts. Essas meninas foram fabricadas em série. Compraram as roupas nas mesmas lojas ou encomendaram uma cópia da costureira (é mais barato).

Tenho uma amizade dessa geração tão imediatista, para eles não importa mais nada, apenas curtir a vida, eles vivem na série Gossip Girl, 90210 e The O.C, mas sem o dinheiro, é claro. O bom-humor é idêntico em todos, piadas superficiais, repetitivas e nada inteligentes. Escutam Luan Santana e tudo o que for ´´da modinha´´.

Acabei de voltar de uma festa dessas, que fui ´´por consideração´´ mais pela mãe da aniversariante que a própria que ´´em cima do muro´´ não sabe a que grupo pertencer. Foram cinco horas de tortura ou deleite, eu expectadora não pude deixar de ver as presepadas dos adolescentes da ´´geração pseudo-chandon´´ que no lugar de beber uma garrafa de Chandon, que normalmente custa em torno de R$ 100, substituem a bebida pelo ´´Gummy´´*, muito mais barato. Aqui vai a receita: meia garrafa de vodka para meio litro de Mid sabor morango ou limão, misture tudo e experimente. Lembrando que só fica bêbado com gummy quem não tem costume.
Nos EUA, são os grupinhos de populares, aqui no Brasil, a ´´geração pseudo-Chandon´´.

Já no meio da festa a garota que vestia um short coladíssimo branco e ´´pegou´´ os cinco amigos da turma foi levada para casa quase inconsciente e nem cantou os ´´Parabéns´´ para a amiga.

Eles não sabem se divertir.

*Gummy – bebida dos ursinhos gummy, que dava agilidade e energia. Desenho animado da década de 90.
*galeroso – arruaceiro, que anda em grupinho procurando briga.
*periguete – todo mundo conhece o verbete.

Budismo: não esperar é não sofrer

19 jan

Por Alana Santos



Religião? Filosofia? Doutrina? Você decide. Assim é o Budismo, que tem adeptos cristãos, ateus, muçulmanos, e por aí vai. Os princípios budistas não se referem a uma ligação com um ser superior, mas a você e ao mundo que o cerca, ao agora.

As práticas budistas são baseadas nos ensinamentos de Siddhartha Gautama, “O Buda”, que falou sobre as Quatro Nobres Verdades: apegar-se é sofrer, o desejo é o sofrimento, abandonar o desejo é parar de sofrer e o Nobre Caminho Óctuplo (entendimento correto, pensamento correto, palavra correta, atividade correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção correta e concentração correta).  Para o Budismo tudo o que uma pessoa vive é uma construção mental própria do ser humano, formada por um conjunto de valores criados pelo “todo” social. É isso que forma a “matrix”, e é essa a causa do sofrimento (samsara), que tem o apego como pilar (desde coisas materiais até temporais, como viver só no passado ou só no futuro). O objetivo do budismo é a libertação do samsara e o alcance da realidade verdadeira, da paz absoluta (o Nirvana). Assim, fazer o bem e cultivar a própria mente são os meios de praticar a ética budista.

E Ioná Pinheiro, 34, faz isso muito bem. Praticante desde 1998, ela começou a participar de um grupo budista através de um amigo e, juntos, decidiram ter uma sala própria em 2000. Foi quando surgiu em Manaus o centro de budismo tibetano vajrayana, filiado ao templo budista em Três Coroas – RS. O centro é ligado à fundação Chagdud Gonpa Trom Gue Phel Ling, no Tibete, e foi fundada pelo mestre de meditação S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche (1930 – 2002).

Mestre de meditação S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche (1930 – 2002)

Ioná já foi católica praticante. Participava de grupos de jovens, trabalhava na pastoral do menor e sempre teve uma forte conotação espiritual. Ela decidiu trocar totalmente o catolicismo pelo budismo, quando descobriu que não precisava se julgar culpada por tudo, e se arrepender por isso, mas que era responsável pelos outros e pelo o mundo. Assim, descobriu que era capaz de mudar: “Se você não tem uma atitude muito boa, se você mente, é agressivo, isso é um pecado e é um peso. No budismo não existe o conceito de pecado. Se você tem algo que não é virtuoso, você pode purificar, pacificar. Essa foi a grande diferença pra mim. Conseguir mudar, não ter um caminho trilhado, vindo de antepassados, de Adão e Eva”. Inicialmente, a mãe de Ioná teve receio quanto à opção da filha, mas depois percebeu que algo havia mudado. “Hoje ela me apóia. Para outros praticantes, isso já é mais difícil”.

“Você tem que trabalhar o no hope, no fear: ter uma ação e não esperar nada dessa ação, porque se você não espera, você não sofre”

É o que acontece com Jackson Rego, 44. Ele e a família são cristãos e vão à missa. Mas quando ele está meditando, ainda dizem que é uma perda de tempo.Quando você está meditando, você está louvando a Deus. Você está buscando compreensão de que existe um ser superior”. Faz 5 anos que Jackson está no centro de budismo tibetano vajrayana, em Manaus, e pratica tanto o ensinamento cristão quanto o budista: “O budismo tem essa vertente do aqui e agora, e isso foi o que mais me chamou a atenção. Você perceber a realidade como ela é, e, a partir dessa percepção, agir no mundo. E, principalmente, a questão ética de você compreender e buscar a harmonia com o todo, com as pessoas, na sua cidade, no meio ambiente”.

Apesar de a palavra “budismo” ser conhecida, para Ioná ainda existem vários mitos em relação ao “ser budista”. Um deles é: se as pessoas acreditam em um deus, e você contraria esse conceito, elas se assustam.  “As pessoas sempre buscam um diferencial em você, quando você é budista. Elas esperam uma reação diferente. Tive um namorado que, quando eu disse que era budista, ele perguntou: por que você não me falou que era budista? Mas quando as pessoas se apresentam, elas não dizem que são católicas”. Outro diz respeito à passividade. Ser pacífico não é ser passivo.  “Você pode ser pacífico em qualquer religião que você acredita, se você praticar verdadeiramente. E dentro de qualquer ramo, seja o profissional ou familiar. E é isso que o budismo prega. Ser ético é o conceito maior”.

“Quando você vive o momento presente você vive intensamente, é o que se chama felicidade temporária”

A prática

Em Manaus é feita a prática da Tara Vermelha (simboliza o aspecto feminino de Buda), baseada no budismo tibetano Vajraiana, da linhagem Nyingma. Ela se inicia com a prática de Sete Linhas, uma curta oração da tradição Nyngma, com os ensinamentos do Budismo. Depois acontece o desenvolvimento: a autovisualização da deidade (conjunto de forças que materializam o divino) principal da prática. No final, faz-se a dedicação da prática: consideram-se outras pessoas que não puderam estar presentes, e os Lamas (mestres) são lembrados.

A prática budista trabalha com o que você usa no cotidiano: ação, mente e fala. Então, existe a parte meditacional, a dos mantras e a dos mudras. Os mantras trabalham a fala, e os mudras, os gestos.

Qualquer pessoa pode fazer a prática da Tara Vermelha, mas apenas quem já foi iniciado por um Lama pode se autovisualizar como uma deidade. Em outras práticas só se permite o iniciado.

De acordo com Ioná, a prática trabalha o momento presente, a mente. “O budismo te prepara para o momento da tua morte. O único caminho em que você encontra iluminação é você como humano. Se você não trabalha a questão emocional, as suas emoções se misturam no momento da morte. Se você morrer em um momento de raiva, de angústia, você pode ter um renascimento no reino dos infernos ,ou, em outros reinos. Por isso que se trabalha a mente, para que na morte você tenha uma mente tranqüila.”

História

Siddhartha Gautama, o Buda, foi o homem que criou o budismo, que começou na Índia, entre os séculos VI e IV a.C. Ele era um príncipe no clã dos Sákya, especialista em artes marciais que nunca tinha visto a realidade fora das paredes do castelo. Aos 29 anos abandonou todo o conforto, adotando uma vida errante. Procurou paz nas religiões da época, aprendendo várias técnicas meditativas. Chegou a praticar o ascetismo (busca a iluminação pela mortificação do corpo) por seis anos. Finalmente, depois de uma meditação, descobriu a solução para o ciclo do sofrimento das pessoas.

"Existe uma esfera onde não é terra, nem água, nem fogo, nem ar... que não é nem este mundo e nem outro, nem sol e nem lua. Eu nego que esteja vindo ou indo, que permanece e que seja morte ou nascimento. É simplesmente o fim do sofrimento. Essencialmente todos os seres vivos são Budas, dotados de sabedoria e virtude, mas como a mente humana se inverteu através do pensamento ilusório, não o conseguem perceber".


Aos 35 anos, Siddhartha tornou-se Buda e, junto com os seus primeiros discípulos, formou a primeira comunidade monástica. Então, dedicou a vida inteira aos ensinamentos budistas, sem deixar nada escrito.

Os ensinamentos de Buda começaram a ser escritos por volta do século I a.C, no Sri Lanka, e constituíram o Cânone Pali, a principal coleção de textos que baseiam o Budismo Therevada.

O budismo se dividiu em várias escolas, mas as principais são:

Mahayana

A pessoa busca a própria iluminação e ajuda os outros a também evoluírem espiritualmente.

ZenUma das principais tradições da Mahayana. Valorizam a meditação sentada e o uso de paradoxos nos seus ensinamentos.

Theravada

O praticante busca sozinho a iluminação, através da meditação e de uma conduta que esteja de acordo com a doutrina de Buda. É a tradição mais antiga ainda presente.

Vajrayana

Valoriza a visualização, recitação e meditação. É predominante no Tibete.

No Brasil, a escola Nitiren (do Japão) foi uma das que mais se destacou. O Budismo Tibetano e o Soto Zen também possuem uma grande repercussão no país.

Para saber mais

Dharmanet

Chagdud

Odsalling

Local de Prática em Manaus

Budismo Tibetano Vajrayana – Chagdud Gonpa Trom Gue Phel Ling

Rua Comércio II – Centro Comercial Ilha do Parque – Sala 6 – Parque 10.

Os cinco pilares de Allah no Amazonas

16 dez

Por Fabíola Abess

 

Em frente aos pés de benjamin da rua Ramos Ferreira no Centro de Manaus, duas torres brancas representam uma religião desconhecida pelos Manauenses, mas que aos poucos vem mostrando a sua importância:  o Islamismo.

As duas torres brancas fazem parte do Centro Islâmico do Amazonas, o primeiro templo Islâmico da região Norte que fica pronto em Janeiro do ano que vem. Além dos cultos Islâmicos, o templo vai servir como um centro de estudos da religião fundada por Maomé.

    

Felipe Abinader, descendente de Libaneses, criado no catolicismo pelos pais, tem interesse em frequentar os cultos da mesquita quando ficar pronta ‘’Meus pais me obrigavam a ir na missa, era um hábito incessante de ir aos cultos todos os Domingos, cheguei a fazer a primeira comunhão, até que fiquei intrigado com as doutrinas da igreja católica de que existe uma trindade: Pai, Filho e Espírito Santo e ao mesmo tempo um único Deus. A existência desse filho sempre me intrigou, então busquei outras fontes’’. Felipe se interessa pelo Islamismo desde os 16 anos, a religião prega o monoteísmo. ‘’Eu acredito que exista somente um Deus e que Ele é o único Senhor, mas a questão sobre a Santíssima Trindade me deixa confuso, então, tenho pesquisado em livros e em trechos do Alcorão, o livro sagrado do Islã. Na minha primeira viagem ao Líbano em 2006, busquei contatos com pessoas que seguiam a religião e frequentei mesquitas. Em 2007 retornei ao país e conheci parte da família paterna no Município de Bathun. Convivi com tios e primos, os quatro homens mulçumanos não se divertiam muito e viviam em harmonia com a parte católica da casa, que eram as minhas duas tias. Durante o mês que passei no país houve um bombardeio em Bathun que destruiu parte do sítio da família do meu pai. E dois primos meus que estavam lá foram mortos por causa de uma divergência entre os grupos extremistas Hezbolá e Yisshayk-Assaf ‘’.

Conversão

      ‘’Na minha última viagem no ano passado, conheci o tio Khalliuh Assef, que me mostrou uma outra realidade sobre a religião Islâmica, ele me levou até uma mesquita, voltei ao Brasil decidido a seguir os pilares da religião. Eu paguei um lanche para um necessitado e tentei fazer as cinco orações por dia. Só não ia à mesquita orar toda sexta-feira porque não há mesquita em Manaus, não bebo, não fumo nem como carne de porco. Tentei fazer o Ramadã, que é o jejum de água e alimento, feito uma vez ao ano por um período de trinta dias, que começa depois das seis da manhã até as seis da tarde, mas cumpri apenas quinze dias porque a minha namorada não deixou. Eu ainda não me decidi pela conversão, ainda tenho muitas dúvidas e conflitos sobre qual religião seguir e as divergências entre a família e a namorada me levaram a pensar mais’’.

Mulçumanos em Manaus

Localizado num prédio de quatro andares em construção na Marechal Deodoro, área principal do centro de Manaus, fica o escritório e uma das lojas do empresário Mamoun Yacoub. Ele estava em reunião com representantes de um banco enquanto eu esperava no caixa da loja há vinte minutos, enquanto isso uma moça de pele muito branca e cabeça coberta por uma renda contava dinheiro na minha frente. Ela se dirige a uma das araras da loja e pega uma blusa frente única e põe em cima do balcão, mostra para a moça do caixa e diz algumas palavras num idioma desconhecido.

Mamoun é Palestino e reside em Manaus há 20 anos, tem sete irmãos e três deles moram em Manaus: Ayman, Mahurmud e Mohammad, eles também são responsáveis pela construção da Mesquita branca, a obra iniciou no ano passado e foi financiada pelos árabes mulçumanos que tem negócios na cidade. ‘’Para ser mulçumano é preciso antes de tudo acreditar em Jesus e na bíblia, para a religião Islâmica, Cristo é como um mensageiro de Deus, um profeta, não o filho de Deus que veio a terra por força do Espírito Santo. Deus é único. A bíblia veio complementar a mensagem de Deus para encerrar o Alcorão 1.500 anos depois´´.

A moça com o véu na cabeça é Iman Yousef Manasrf , cunhada de Mamoun e veio a Manaus para passar um período de um mês.

 

Pré-conceitos e a mídia

‘’Há um mal entendido sobre a mulher ser maltratada, as mulheres antes do Islamismo eram vendidas no mercado junto com os escravos, o Alcorão nunca vem contra a mulher, fala que a mulher tem que ser coberta para assegurar o homem e a si mesma. Tenho 400 funcionários, vejo que muitas das mulheres têm filhos de pais diferentes e eles não querem responsabilidades. O Alcorão dá um direcionamento na vida das pessoas e não aprova esse tipo de situação. Diz que os homens têm obrigação de cuidar das mulheres. Algumas mulheres preferem não tirar o véu da cabeça quando tem oportunidade, porque já está na cultura delas’’. Apresentou a cunhada Iman Yousef Manasrf que veio a Manaus a passeio. ‘’Pergunte se elas querem tirar o véu’’, a cunhada de Yacoub infelizmente só fala o árabe. Mas entendeu quando disse que ela era bonita depois de ter sido fotografada para a entrevista. Fiquei sem saber se ela gosta do véu.

‘’E o terrorismo não tem nada a ver com a religião, a imagem do Islamismo ficou manchada com os atentados de 11 de setembro por culpa de uma minoria que distorce a interpretação do Alcorão’’.

‘’A mesquita improvisada’’

Desde o mês de Maio os mulçumanos de Manaus se reúnem nos altos da loja do Jordaniano Ahmad Khalas que fica na rua Marquês de Santa Cruz. Khalas, Ziadin e sua esposa que são da Palestina coordenam as atividades na mesquita temporária. Além das orações ao meio dia nas sextas-feiras também acontece o estudo do Alcorão aos sábados a partir das 15 horas.

Na parede uma caligrafia com letras entrelaçadas que significam a palavra Deus em árabe, tapetes pelo chão e elásticos marcam espaços para cada fileira de pessoas que a sala comporta, no canto, um computador. A sala tem capacidade para 60 pessoas que lotam o culto de sexta-feira permitido apenas para homens.

‘’Pode tirar fotos, depois da oração conversamos’’, os homens atendem ao Aethan no computador, o chamado para as orações, uma oração cantada em árabe. Os dois foram até o lavabo do lado da sala e lavam as mãos, rosto, braços e nuca. ‘’Antes de ler a palavra de Deus, homem e mulher têm que se purificar, por isso há um ritual de lavagem antes de tocar o Alcorão e fazer as orações’’.

Ficam de pé e fazem reverência, ajoelhados abaixam a testa até encontrar o chão em direção à Meca, o ritual durou quase 20 minutos. Na mesquita improvisada quem marca o horário das orações é o programa de computador Islamic finder, disponível gratuitamente para download na internet. O programa marca as horas das orações e é programado para tocar o Aethan cinco vezes ao dia. 

Pedi para fotografar o culto da sexta, ‘’Você pode sim, mas vai ter que cobrir a cabeça e os braços’’, depois de uma discussão em árabe Ziadin disse que eu não poderia. ‘’A oração da sexta-feira é muito importante, os homens podem perder a concentração com você aqui dentro, é melhor você mandar algum homem para tirar as fotos’’. Também discutem se eu posso levar emprestado o exemplar do Alcorão que Ahmad tinha me dado. ‘’Antes de tocar, você precisar se purificar, lavar as mãos e fazer a higiene, também não pode tocar se estiver no período menstrual’’.

‘’As orações podem ser feitas em qualquer lugar, mas a mesquita é o lugar próprio onde pode reunir as pessoas’’. Ziadin me contou que o Mulçumano pode fazer as orações em qualquer lugar. ‘’Pode rezar na rua, no avião, no carro, mas a mesquita é um lugar específico, é como se a oração feita na mesquita fosse mais valorosa do que as outras que não são feitas no local próprio’’. Mais de 400 pessoas entre mulçumanos e brasileiros pretendem frequentar a mesquita. A promessa é que o governo do Egito envie um Sher para dirigir o templo.

Faça a diferença [?]

7 out

Por Alana Santos

docontra1

Jornalismo diferente: a utopia das universidades. “Vamos fazer o diferente pessoal!” é uma ótima frase para tentar ser o diferente. Agora, vamos analisar os formandos. Quantos desistiram da profissão? Quantos estão trabalhando nos jornais locais etc etc? (quem é aluno tem noção)

O diferente é bom dentro das universidades, onde a gente pode fazer o que quiser: fugir do lead, usar um estilo literário, ter uma opinião própria (se é que é possível), filmar por outro ângulo …
Mas não na TV, no Rádio, no Impresso …

O problema não é tentar ser diferente, o problema é que o público não é diferente. Odeia mudanças, odeia pensar, pesquisar … E a gente segue as tendências, as novas modinhas do tempo da vovó, os mesmos entrevistados “cults”, o mesmo blá blá blá. Porque o novo surge sem público, continua sem por uns 4 meses, depois começa a jogar algumas propagandazinhas e pronto: subiu mais 1 ponto na audiência.

povão palco

E qual é a solução:

reinvindicar o diploma? continuar debatendo em trocentos congressos de comunicação? fazer uma chacina?
escrever em blogs?
colocar uma crítica individual implícita em uma matéria e ser despedido depois?
Não. O negócio é começar a formar jornalistas no ensino fundamental.
Se fosse assim, não seria preciso criar desculpas sobre a necessidade de um diploma.

florindoaprendealer

Florinda Fillipe aprende ler e escrever aos 90 anos


O que você acha? Comente aí e faça a diferença.

Ê Boi!

4 out

Por Fabíola Abess

Padre, médico e escritor, François Rabelais representa a literatura renascentista de forma pouco convencional, une o popular e erudito no mesmo espaço. ‘Carnaval Rabelais’, peça da temporada 2009 do Teatro Experimental do Sesc – TESC, tem como nome homônimo, o escritor francês que em obras como Gargantua, reúne lendas populares, farsas, contos indecentes e citações de obras clássicas.

A obra tem como Rabelais narrador e personagem, que abre a peça durante uma terça-feira de carnaval no bar Renascentista, que sem ter como pagar uma dívida de jogo, resolve contar uma história. A peça inicia com o nascimento do gigante Gargantua que se aventura desde os primeiros anos de vida, até ser enviado para a ‘Paris dos Trópicos’ a fim de concluir os estudos.

É possível identificar elementos da comédia brasileira, comum no teatro de revista e encenado por artistas como Oscarito e Dercy Gonçalves, que tinha como características principais a apresentação de números musicais com apelo à sensualidade e a comédia leve com críticas sociais e políticas.

As letras falam sobre liberdade de expressão e crítica de costumes, retrato da aristocracia local, os atores interagem rapidamente com o público por meio de insights, que revisitam os últimos escândalos ocorridos na cidade de Manaus. Assim como o escárnio em geral, ‘’Tudo é só mercadoria…/ Lá vai partir a caravana educacional/ …já perdi muitas coisas por dizer e escrever o que quero…/ o dinheiro é o Deus do nosso tempo…trouxeram a desordem para o meu coração…/ Final feliz é tarefa de casa para cada um […]’’.

Com dramaturgia de Márcio Souza e 14 músicas escritas por Aldísio Filgueiras, cantadas ao vivo pelo próprio elenco. ‘Carnaval Rabelais’ é um carnaval de acontecimentos rápidos, que em face da rapidez, o público por pouco não se dá conta de quando o final acontece, somente pelo fato do aparecimento do narrador-personagem, perdido no início da encenação.

Carnaval Rabelais cumprirá temporada até dezembro, com apresentações todos os sábados, às 20 hs, ingressos R$ 10,00 e meia entrada R$ 5,00, encenada no teatro do Sesc, na Rua Henrique Martins, Centro.

Movimentos na Baricéa: II Viva Zumbi

23 nov

Por Alana Santos e Fabíola Abess

“É água no mar/ é maré cheia amor/ mareia amor/ mareia…”

“Ê baiana, ê baiana, baianinha”

(Clara Nunes)

Clara Nunes, batucada, dança, cartazes, hino nacional em ritmo de afoxé e pessoas, muitas pessoas. Assim começou a II Marcha Viva Zumbi, na avenida Eduardo Ribeiro, centro de Manaus, no dia 20 de novembro (dia da consciência negra). O evento reuniu vários grupos do movimento negro de Manaus, além de outras entidades: Movimento Afrodescendente do Amazonas (Afroamazon), Escola de samba Presidente Vargas, estudantes do Colégio Brasileiro, Articulação de mulheres do Amazonas (AMA), Associação cultural Nossa Senhora da Conceição, Rede Nacional de Religiões Afro Brasileiras, Rede Amazônia Negra, o mestrado em Sociedade e Cultura da Amazônia (UFAM) e Movimento Espírita do Amazonas.

A manifestação começou por volta das 4h30 da tarde e seguiu pela Avenida Eduardo Ribeiro até a Praça do Congresso. Vários grupos de capoeira acompanharam os dois trios elétricos e o público que seguia a manifestação.

“Nós somos macumbeiros sim, com muito orgulho…Exú não é demônio, Exu não é Satanás”, disse um dos organizadores do evento.

“axé, axé,axé…” depois de pronunciar algumas palavras em yoruba.

De acordo com Juarez Silva, do movimento Afroamazon, há grupos de vertente cultural e religiosa que se reúnem todo ano para organizar eventos como a II Marcha Viva Zumbi.

p1020177

p1020191

p1020192

p1020203

Movimentação Política

Alguns políticos da BARICÉA estiveram presentes e garantiram um marketing pessoal discurso improvisado.

A senadora Vanessa Grazziotin (importância do evento e votação de uma lei para a criação de um dia das religiões ameríndias)

p1020171

A vereadora Lucia Antony (importância do evento)

p1020172

A presença (não física) do Deputado Josué Neto (carro de som como apoio)

p1020176

A imprensa

Fotojornalistas: ficaram até a chegada à Praça do Congresso

A televisão: com uma passagem rápida, fizeram umas imagens e saíram rapidamente

Os repórteres do impresso: viram a “banda passar”

Opinião do Público

“Estávamos fazendo um trabalho de TCC no Palácio do Comércio e descemos para ver o movimento quando anunciaram no carro de som sobre a manifestação” Eduardo Lima, 22 anos.

“O público foi inferior ao esperado, são 5.000 pessoas cadastradas no movimento dos afrodescendentes e nem 1% compareceu. É importante descobrir as lendas, a cultura. Ver é uma coisa, conhecer é outra.” Adelaide Schramm, 42 anos.

“Convivo com vários descendentes e muitos acham que o dia da consciência negra já é uma forma de preconceito. Alguns são a favor por causa dos privilégios, e outros não, porque acham que são iguais a todo mundo” Jefferson Costa, 33 anos.

“Está havendo distinção e incitação ao preconceito. O preconceito é um problema cultural”. José Luiz de Araújo, Professor de Direito aposentado da UFAM, Magistrado e presidente do PDT.

Mais informações: Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR)

Movimento Afrodescendente do Amazonas

História

Em 1971, o Grupo Palmares, do Rio Grande do Sul, descobriu que Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, e estabeleceu esse dia como o Dia da Consciência Negra. Em 2003, o presidente Lula, pela lei 10.639, estabeleceu a data como parte do calendário escolar brasileiro.

Zumbi (força do espírito presente) foi capturado, quando garoto, por soldados e entregue ao padre Antonio Melo, que o batizou com o nome de Francisco. Em 1670, com quinze anos, Zumbi fugiu e voltou para o Quilombo, sendo o último chefe dos Palmares.

O nome “Palmares” foi dado pelos portugueses devido ao grande número de palmeiras encontradas na região da Serra da Barriga, ao sul da capitania de Pernambuco, hoje estado de Alagoas.

O Quilombo dos Palmares existiu por um período de quase cem anos, entre 1600 e 1695, e teve cerca de vinte mil habitantes.

Em 1694, com uma legião de 9.000 homens, armados com canhões, Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista, atacou o povoado de Palmares. Zumbi foi localizado no dia 20 de novembro de 1695 e morto a punhaladas. A sua cabeça foi decepada e remetida para Recife, onde foi coberta por sal fino e espetada em um poste até ser consumida pelo tempo.