Os cinco pilares de Allah no Amazonas

16 dez

Por Fabíola Abess

 

Em frente aos pés de benjamin da rua Ramos Ferreira no Centro de Manaus, duas torres brancas representam uma religião desconhecida pelos Manauenses, mas que aos poucos vem mostrando a sua importância:  o Islamismo.

As duas torres brancas fazem parte do Centro Islâmico do Amazonas, o primeiro templo Islâmico da região Norte que fica pronto em Janeiro do ano que vem. Além dos cultos Islâmicos, o templo vai servir como um centro de estudos da religião fundada por Maomé.

    

Felipe Abinader, descendente de Libaneses, criado no catolicismo pelos pais, tem interesse em frequentar os cultos da mesquita quando ficar pronta ‘’Meus pais me obrigavam a ir na missa, era um hábito incessante de ir aos cultos todos os Domingos, cheguei a fazer a primeira comunhão, até que fiquei intrigado com as doutrinas da igreja católica de que existe uma trindade: Pai, Filho e Espírito Santo e ao mesmo tempo um único Deus. A existência desse filho sempre me intrigou, então busquei outras fontes’’. Felipe se interessa pelo Islamismo desde os 16 anos, a religião prega o monoteísmo. ‘’Eu acredito que exista somente um Deus e que Ele é o único Senhor, mas a questão sobre a Santíssima Trindade me deixa confuso, então, tenho pesquisado em livros e em trechos do Alcorão, o livro sagrado do Islã. Na minha primeira viagem ao Líbano em 2006, busquei contatos com pessoas que seguiam a religião e frequentei mesquitas. Em 2007 retornei ao país e conheci parte da família paterna no Município de Bathun. Convivi com tios e primos, os quatro homens mulçumanos não se divertiam muito e viviam em harmonia com a parte católica da casa, que eram as minhas duas tias. Durante o mês que passei no país houve um bombardeio em Bathun que destruiu parte do sítio da família do meu pai. E dois primos meus que estavam lá foram mortos por causa de uma divergência entre os grupos extremistas Hezbolá e Yisshayk-Assaf ‘’.

Conversão

      ‘’Na minha última viagem no ano passado, conheci o tio Khalliuh Assef, que me mostrou uma outra realidade sobre a religião Islâmica, ele me levou até uma mesquita, voltei ao Brasil decidido a seguir os pilares da religião. Eu paguei um lanche para um necessitado e tentei fazer as cinco orações por dia. Só não ia à mesquita orar toda sexta-feira porque não há mesquita em Manaus, não bebo, não fumo nem como carne de porco. Tentei fazer o Ramadã, que é o jejum de água e alimento, feito uma vez ao ano por um período de trinta dias, que começa depois das seis da manhã até as seis da tarde, mas cumpri apenas quinze dias porque a minha namorada não deixou. Eu ainda não me decidi pela conversão, ainda tenho muitas dúvidas e conflitos sobre qual religião seguir e as divergências entre a família e a namorada me levaram a pensar mais’’.

Mulçumanos em Manaus

Localizado num prédio de quatro andares em construção na Marechal Deodoro, área principal do centro de Manaus, fica o escritório e uma das lojas do empresário Mamoun Yacoub. Ele estava em reunião com representantes de um banco enquanto eu esperava no caixa da loja há vinte minutos, enquanto isso uma moça de pele muito branca e cabeça coberta por uma renda contava dinheiro na minha frente. Ela se dirige a uma das araras da loja e pega uma blusa frente única e põe em cima do balcão, mostra para a moça do caixa e diz algumas palavras num idioma desconhecido.

Mamoun é Palestino e reside em Manaus há 20 anos, tem sete irmãos e três deles moram em Manaus: Ayman, Mahurmud e Mohammad, eles também são responsáveis pela construção da Mesquita branca, a obra iniciou no ano passado e foi financiada pelos árabes mulçumanos que tem negócios na cidade. ‘’Para ser mulçumano é preciso antes de tudo acreditar em Jesus e na bíblia, para a religião Islâmica, Cristo é como um mensageiro de Deus, um profeta, não o filho de Deus que veio a terra por força do Espírito Santo. Deus é único. A bíblia veio complementar a mensagem de Deus para encerrar o Alcorão 1.500 anos depois´´.

A moça com o véu na cabeça é Iman Yousef Manasrf , cunhada de Mamoun e veio a Manaus para passar um período de um mês.

 

Pré-conceitos e a mídia

‘’Há um mal entendido sobre a mulher ser maltratada, as mulheres antes do Islamismo eram vendidas no mercado junto com os escravos, o Alcorão nunca vem contra a mulher, fala que a mulher tem que ser coberta para assegurar o homem e a si mesma. Tenho 400 funcionários, vejo que muitas das mulheres têm filhos de pais diferentes e eles não querem responsabilidades. O Alcorão dá um direcionamento na vida das pessoas e não aprova esse tipo de situação. Diz que os homens têm obrigação de cuidar das mulheres. Algumas mulheres preferem não tirar o véu da cabeça quando tem oportunidade, porque já está na cultura delas’’. Apresentou a cunhada Iman Yousef Manasrf que veio a Manaus a passeio. ‘’Pergunte se elas querem tirar o véu’’, a cunhada de Yacoub infelizmente só fala o árabe. Mas entendeu quando disse que ela era bonita depois de ter sido fotografada para a entrevista. Fiquei sem saber se ela gosta do véu.

‘’E o terrorismo não tem nada a ver com a religião, a imagem do Islamismo ficou manchada com os atentados de 11 de setembro por culpa de uma minoria que distorce a interpretação do Alcorão’’.

‘’A mesquita improvisada’’

Desde o mês de Maio os mulçumanos de Manaus se reúnem nos altos da loja do Jordaniano Ahmad Khalas que fica na rua Marquês de Santa Cruz. Khalas, Ziadin e sua esposa que são da Palestina coordenam as atividades na mesquita temporária. Além das orações ao meio dia nas sextas-feiras também acontece o estudo do Alcorão aos sábados a partir das 15 horas.

Na parede uma caligrafia com letras entrelaçadas que significam a palavra Deus em árabe, tapetes pelo chão e elásticos marcam espaços para cada fileira de pessoas que a sala comporta, no canto, um computador. A sala tem capacidade para 60 pessoas que lotam o culto de sexta-feira permitido apenas para homens.

‘’Pode tirar fotos, depois da oração conversamos’’, os homens atendem ao Aethan no computador, o chamado para as orações, uma oração cantada em árabe. Os dois foram até o lavabo do lado da sala e lavam as mãos, rosto, braços e nuca. ‘’Antes de ler a palavra de Deus, homem e mulher têm que se purificar, por isso há um ritual de lavagem antes de tocar o Alcorão e fazer as orações’’.

Ficam de pé e fazem reverência, ajoelhados abaixam a testa até encontrar o chão em direção à Meca, o ritual durou quase 20 minutos. Na mesquita improvisada quem marca o horário das orações é o programa de computador Islamic finder, disponível gratuitamente para download na internet. O programa marca as horas das orações e é programado para tocar o Aethan cinco vezes ao dia. 

Pedi para fotografar o culto da sexta, ‘’Você pode sim, mas vai ter que cobrir a cabeça e os braços’’, depois de uma discussão em árabe Ziadin disse que eu não poderia. ‘’A oração da sexta-feira é muito importante, os homens podem perder a concentração com você aqui dentro, é melhor você mandar algum homem para tirar as fotos’’. Também discutem se eu posso levar emprestado o exemplar do Alcorão que Ahmad tinha me dado. ‘’Antes de tocar, você precisar se purificar, lavar as mãos e fazer a higiene, também não pode tocar se estiver no período menstrual’’.

‘’As orações podem ser feitas em qualquer lugar, mas a mesquita é o lugar próprio onde pode reunir as pessoas’’. Ziadin me contou que o Mulçumano pode fazer as orações em qualquer lugar. ‘’Pode rezar na rua, no avião, no carro, mas a mesquita é um lugar específico, é como se a oração feita na mesquita fosse mais valorosa do que as outras que não são feitas no local próprio’’. Mais de 400 pessoas entre mulçumanos e brasileiros pretendem frequentar a mesquita. A promessa é que o governo do Egito envie um Sher para dirigir o templo.

Um belo dia para passear

26 out

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1 minuto depois …

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E não se esqueça de usar sapatos confortáveis ...

Faça a diferença [?]

7 out

Por Alana Santos

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Jornalismo diferente: a utopia das universidades. “Vamos fazer o diferente pessoal!” é uma ótima frase para tentar ser o diferente. Agora, vamos analisar os formandos. Quantos desistiram da profissão? Quantos estão trabalhando nos jornais locais etc etc? (quem é aluno tem noção)

O diferente é bom dentro das universidades, onde a gente pode fazer o que quiser: fugir do lead, usar um estilo literário, ter uma opinião própria (se é que é possível), filmar por outro ângulo …
Mas não na TV, no Rádio, no Impresso …

O problema não é tentar ser diferente, o problema é que o público não é diferente. Odeia mudanças, odeia pensar, pesquisar … E a gente segue as tendências, as novas modinhas do tempo da vovó, os mesmos entrevistados “cults”, o mesmo blá blá blá. Porque o novo surge sem público, continua sem por uns 4 meses, depois começa a jogar algumas propagandazinhas e pronto: subiu mais 1 ponto na audiência.

povão palco

E qual é a solução:

reinvindicar o diploma? continuar debatendo em trocentos congressos de comunicação? fazer uma chacina?
escrever em blogs?
colocar uma crítica individual implícita em uma matéria e ser despedido depois?
Não. O negócio é começar a formar jornalistas no ensino fundamental.
Se fosse assim, não seria preciso criar desculpas sobre a necessidade de um diploma.

florindoaprendealer

Florinda Fillipe aprende ler e escrever aos 90 anos


O que você acha? Comente aí e faça a diferença.

Ê Boi!

4 out

Por Fabíola Abess

Padre, médico e escritor, François Rabelais representa a literatura renascentista de forma pouco convencional, une o popular e erudito no mesmo espaço. ‘Carnaval Rabelais’, peça da temporada 2009 do Teatro Experimental do Sesc – TESC, tem como nome homônimo, o escritor francês que em obras como Gargantua, reúne lendas populares, farsas, contos indecentes e citações de obras clássicas.

A obra tem como Rabelais narrador e personagem, que abre a peça durante uma terça-feira de carnaval no bar Renascentista, que sem ter como pagar uma dívida de jogo, resolve contar uma história. A peça inicia com o nascimento do gigante Gargantua que se aventura desde os primeiros anos de vida, até ser enviado para a ‘Paris dos Trópicos’ a fim de concluir os estudos.

É possível identificar elementos da comédia brasileira, comum no teatro de revista e encenado por artistas como Oscarito e Dercy Gonçalves, que tinha como características principais a apresentação de números musicais com apelo à sensualidade e a comédia leve com críticas sociais e políticas.

As letras falam sobre liberdade de expressão e crítica de costumes, retrato da aristocracia local, os atores interagem rapidamente com o público por meio de insights, que revisitam os últimos escândalos ocorridos na cidade de Manaus. Assim como o escárnio em geral, ‘’Tudo é só mercadoria…/ Lá vai partir a caravana educacional/ …já perdi muitas coisas por dizer e escrever o que quero…/ o dinheiro é o Deus do nosso tempo…trouxeram a desordem para o meu coração…/ Final feliz é tarefa de casa para cada um […]’’.

Com dramaturgia de Márcio Souza e 14 músicas escritas por Aldísio Filgueiras, cantadas ao vivo pelo próprio elenco. ‘Carnaval Rabelais’ é um carnaval de acontecimentos rápidos, que em face da rapidez, o público por pouco não se dá conta de quando o final acontece, somente pelo fato do aparecimento do narrador-personagem, perdido no início da encenação.

Carnaval Rabelais cumprirá temporada até dezembro, com apresentações todos os sábados, às 20 hs, ingressos R$ 10,00 e meia entrada R$ 5,00, encenada no teatro do Sesc, na Rua Henrique Martins, Centro.

Não te pegou pelo estômago

3 out

Por Alana Santos

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Não é pelo comum que o filme “Estômago” ganha a cada dia mais admiradores, mas pelo modo que narra a história de um homem do interior na cidade grande. Há 3 bons motivos para se gostar do filme: os ângulos pouco convencionais, o desenrolar da história e a imprevisibilidade. A forma como o filme foi filmado introduz o telespectador na história, como se ele fizesse parte da visão do personagem. A mistura dos dois lados da vida de Raimundo Nonato dinamiza o filme, prendendo a atenção do telespectador. É isso que deixa o final surpreendente, com um jeito surreal.

“Estômago” transforma os personagens de um clichê em figuras reais do cotidiano, que se comunicam e, principalmente, influenciam-se. O personagem principal é construído através de outros personagens principais, justamente por que cada um deles faz parte das escolhas de Nonato.

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O filme não retrata totalmente os problemas de um migrante nordestino, ou do sistema penitenciário brasileiro ou da prostituição, apesar de mostrar tudo isso. O objetivo mais notável é a simples narração da história de uma pessoa comum. O mais interessante, além disso, é a forma como as relações de poder são tratadas nos diversos ambientes sociais: seja em um restaurante chique, na prisão, ou em uma lanchonete suja. As relações construídas são cruciais para as futuras decisões de Raimundo Nonato, um herói e um anti-herói, em ambos os casos, uma vítima.

Outro ponto curioso é como a personalidade do personagem principal vai sendo construída: desde os momentos ingênuos (jeito simples de falar e agir) até a descoberta de que é possível alcançar o topo de um ‘tipo’ de poder. E é nesse instante que o lado desconhecido de Raimundo Nonato aparece. A ambição, que nunca tinha demonstrado, emerge subitamente, com desejos fora do padrão de consumo do meio onde está.

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É claro que o nome do filme não expressa o real sentido da história, mas é justamente pelo estômago que o personagem conquista espaço. Da namorada ao beliche de cima. Do quartinho dos fundos à cozinha completa. E a reação das pessoas que provam o salgadinho ou o guisado de frango de Nonato o transforma em um ser especial, com ares de ser o melhor do mundo, insubstituível.

É um filme que merece um olhar além dos clichês de interpretação.

A aula e a bactéria

25 set

Por  Alana Santos

Aulas inspiram posts! Quem diria! É mais fácil você tirar assunto de  um banco de ônibus do que da carteira de uma faculdade. E olha que o que não falta em cursos de ciências humanas são debates, geralmente sobre os velhos atuais assuntos que existem desde que o homem virou um ser social e passou a agregar valores (fica a dica para quem quiser se sair bem em uma discussão).

debate

E, se você é professor, estimule seus alunos a fazerem textos opinativos. Artigos, crônicas, resenhas e por aí vai. Na terça-feira, nós, do Baricéa Desvairada, tivemos que fazer crônicas sobre algum assunto da atualidade. E é claro que falar sobre bactérias perigosas pareceu ser muito mais interessante que política. Infelizmente nem todos entenderam, então aqui vai um post-devoltaaobaricéa.

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Você tem mais bactérias do que imagina. E o mais incrível: elas ajudam!. Na pele, degradam células mortas, no intestino, transformam resíduos complexos em substâncias simples, e por aí vai. Só que, se uma resolve, de repente, elaborar um Projeto Destruição, você não vai precisar apenas de um travesseiro para enfrentar a fila do SUS, mas de um super antibiótico (um que não tenha usado antes também).

Bom, isso não foi o suficiente para cientista americano Malcom Casadaban, 60, que pesquisava a forma menos agressiva da bactéria da peste bubônica. Ele morreu no dia 13 de setembro, e o Centro Médico da Universidade de Chicago detectou a Yersinia pestis no sangue do pesquisador. E tem mais: em agosto, as autoridades chinesas tiraram Ziketan (cidade remotíssima da China) da quarentena, onde 12 pessoas foram infectadas pela peste.

Sabe o que isso quer dizer? Que se quiserem exterminar a população, basta jogar alguns ratos cheios de pulgas em outros continentes e pronto! E se você estiver infectado, e tossir ou espirrar na cara de alguém, pode causar uma pandemia! Uma hipótese estranhamente semelhante à tão falada Gripe Suína, que surgiu do nada em algum noticiário.

Mas o problema não é a gripe, nem a bactéria da peste bubônica, mas de quem recebe as informações e não as questiona. Por que? Por que? Os “letrados” discutem, discutem e discutem e caem nos mesmos erros, sempre e sempre. Falam sobre os mesmos pontos de vista, têm medo de opiniões ou teorias que estão fora do padrão, etc, etc.

Qual foi a última notícia sobre a gripe suína que você viu na TV?

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(Outra dica: não escreva textos como este, que relaciona peste bubônica, gripe suína, teoria da conspiração e aulas da faculdade. Ninguém vai entender nada)

(Im) pacientes na fila do SUS (to)

23 set

Por Fabíola Abess

05:40 am

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Ônibus lotado, cutucões, empurrões, fungadeira, suadouro, homens tarados. Gente sebenta, cabelo gordurento. Essa é a etiqueta urbana predominante nos ônibus em Manaus todas as manhãs.

06:50 am

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Muita gente e muitos destinos: alguns vão ao trabalho, escola e hospitais. Os (im) pacientes aguardam nas filas. As barraquinhas de café exalam o cheiro característico, a fome ensaia no estômago, o desjejum da madrugada já não é suficiente.
Bemvindo ao PAM da Codajás – o Pronto atendimento do Centro, o porque de ‘Codajás’ não se sabe, a Policlínica fica no Centro da cidade de Manaus.
‘’Atrás do lanche, subindo as escadas à esquerda’’, disse a atendente.
Os (im) pacientes não esperam na fila do SUS (to). Todos querem ter prioridade no atendimento, mesmo com o novo sistema de pré-agendamento de consultas, o SISREG – Sistema de regulação.
É só a atendente mencionar a palavra ‘fila’ e todos se estapeiam em frente à mulher de branco, até os idosos perdem a noção nesse momento e repetem juntos ‘’cheguei primeiro’’, mesmo sabendo que os prioritários são eles: idosos, cadeirantes, portadores de necessidades especiais e grávidas.
– ‘’Tum’’, todos correm para ver, um paciente epiléptico cai ao chão, depois de ter uma convulsão.
-‘’menino fica aí, grita a mulher.
-‘’não tire as roupas, aqui tem mulheres e crianças.
‘’sabe aquele lá do lado do sambódromo?, já fui internado lá três vezes’’.

Encerra-se assim, mais um dia no consultório de neurologia, e a reforma manicomial não sai da pauta para a prática, saudações para o professor Rogelio Casado e a todos os piciqueiro de plantão

Há mais de um mês que a Policlínica da Av. Getúlio Vargas está pronta e não funciona, por fora o prédio é de uma estética modernista e por dentro?
Foram anos de espera pela obra, quanto tempo mais o povo vai ter que esperar?