Por Alana Santos e Fabíola Abess
O último jornalista – as imagens de cinema
Autora: Stella Senra

O livro “O último jornalista” traça a formação histórica da imagem do jornalista, analisando filmes das décadas de 50 e 70, como Max Headroom, King Kong, Jejum de amor, entre outros.
Vale destacar alguns pontos.
Um robô no lugar do apresentador de telejornal. O que não faria diferença. Afinal, os apresentadores humanos agem como robôs da própria empresa de comunicação em que trabalham. É importante lembrar, entretanto, que são “robôs atores”, interpretam a notícia conforme o conteúdo que a torna real.
A formação da imagem do jornalista surgiu com o desenvolvimento das tecnologias, que preparam um novo ambiente para buscar e divulgar as informações. Isso aconteceu depois da Segunda Guerra Mundial. No decorrer da história, o jornalismo passou a compor uma figura muito particular: “se, por um lado, a atividade livre, sem regras ou procedimentos rígidos adotada pelas redações referendava a já conhecida imagem boemia do profissional, por outro, os compromissos do jornal conferiam não raras vezes ao jornalista um importante papel político e social, atribuindo ao exercício da profissão foros de uma missão”.
Com a ditadura militar, a luta em defesa da liberdade de expressão acentuou o prestígio dos profissionais.
A partir dos anos 80, o jornalismo passa a incorporar uma racionalidade instrumental no processo de desenvolvimento da noticia. Assim, a contextualização da realidade deixou de ser o principal objeto do jornalista, dando lugar a métodos que dividem o contexto real, manipulando-o, distorcendo-o. Dessa forma, “Não há autor na informação jornalística (…). Só existe o sistema”, que estabelece limites a individualidade do repórter em detrimento da empresa de comunicação.
A racionalização técnico-administrativa dos jornais cortou a linha que separava a figura pública e privada dos jornalistas, transformando alguns em estrelas. Essa transformação é uma resposta ao anonimato produzido com as novas técnicas de produção da noticia nas redações. “(…) pode ser que a tensão anonimato/autoria, ou o contraponto anonimato/informação da imagem que tem caracterizado a atividade jornalística contemporânea, venha também distender-se a partir do momento em que o jornal passa a partilhar, com inúmeros outros meios, a responsabilidade de informar”.
Outro ponto pode ser lembrado a partir das propostas do livro: a obrigatoriedade do diploma para exercer a atividade jornalística no Brasil. Qualquer um pode escrever um texto, mas não são todos que saberão transmitir a mensagem. O jornalista é o meio entre a informação e o público, ele é responsável por traduzir a realidade, de forma que todos possam compreendê-la. Não adianta contratar, por exemplo, um analista de sistemas para escrever sobre informática se ele não souber traduzir as informações técnicas que possui para o leitor não especialista. O diploma é importante. É na academia, e com experiência profissional que um bom jornalista é formado.
Alguns filmes citados no livro:
Jejum de Amor

Blow up – depois daquele beijo

King Kong

Max Headroom

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