Arquivos | Livros RSS feed for this section

Introdução ao documentário

25 nov

Por Alana Santos e Fabíola Abess

NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Papirus, Campinas, São PAULO, 2005.

documentario

O livro faz uma abordagem geral sobre o cinema documentário: conteúdo, forma, tipo, política, definições e implicações éticas, além de um mundo contextualizado pelo cineasta.

O cineasta não garante uma separação entre ficção e documentário. Alguns filmes utilizam práticas associadas à ficção, como: roteirização, encenação, reconstituição, ensaio, interpretação, filmagens externas, não atores, câmeras portáteis, improvisação e imagens de arquivo (imagens filmadas por outra pessoa).

Forrest Gump, Truman Show “o show da vida”, EDTV e A Bruxa de Blair constroem suas histórias em torno da premissa subjacente ao documentário: o fascínio.

“testemunhar a vida do outro como se eles pertencessem ao mesmo mundo histórico a que pertencemos”

Em A Bruxa de Blair, o fascínio não se prende apenas na combinação das convenções do documentário com o realismo sem artifícios de câmera portátil, ele também utiliza os canais promocionais e publicitários (como sites e a mídia em geral) que cercam o filme e ajudam a preparar o público para a recepção.

A tradição do documentário está enraizada na capacidade de transmitir uma impressão de autenticidade:

“Quando acreditamos que o que vemos é testemunho do que o mundo é, isso pode embasar nossa orientação ou ação nele. […] A propaganda política, como a publicidade, também se funda na nossa crença em um vínculo entre o que vemos e a maneira como o mundo é, ou a maneira como poderíamos agir nele. Assim fazem muitos documentários, quando têm a intenção de persuadir-nos a adotar uma determinada perspectiva ou ponto de vista sobre o mundo”

O autor não pretende fazer uma cobertura abrangente e equilibrada dos vários cineastas, movimentos e características nacionais importantes do gênero ao longo de história. As obras escolhidas são exemplos para a discussão da realidade, que constitui a matéria-prima do documentário.

O jornalista – profissional da imagem

7 out

Por Alana Santos e Fabíola Abess


O último jornalista – as imagens de cinema

Autora: Stella Senra

O livro “O último jornalista” traça a formação histórica da imagem do jornalista, analisando filmes das décadas de 50 e 70, como Max Headroom, King Kong, Jejum de amor, entre outros.

Vale destacar alguns pontos.

Um robô no lugar do apresentador de telejornal. O que não faria diferença. Afinal, os apresentadores humanos agem como robôs da própria empresa de comunicação em que trabalham. É importante lembrar, entretanto, que são “robôs atores”, interpretam a notícia conforme o conteúdo que a torna real.

A formação da imagem do jornalista surgiu com o desenvolvimento das tecnologias, que preparam um novo ambiente para buscar e divulgar as informações. Isso aconteceu depois da Segunda Guerra Mundial. No decorrer da história, o jornalismo passou a compor uma figura muito particular: “se, por um lado, a atividade livre, sem regras ou procedimentos rígidos adotada pelas redações referendava a já conhecida imagem boemia do profissional, por outro, os compromissos do jornal conferiam não raras vezes ao jornalista um importante papel político e social, atribuindo ao exercício da profissão foros de uma missão”.

Com a ditadura militar, a luta em defesa da liberdade de expressão acentuou o prestígio dos profissionais.

A partir dos anos 80, o jornalismo passa a incorporar uma racionalidade instrumental no processo de desenvolvimento da noticia. Assim, a contextualização da realidade deixou de ser o principal objeto do jornalista, dando lugar a métodos que dividem o contexto real, manipulando-o, distorcendo-o. Dessa forma, “Não há autor na informação jornalística (…). Só existe o sistema”, que estabelece limites a individualidade do repórter em detrimento da empresa de comunicação.

A racionalização técnico-administrativa dos jornais cortou a linha que separava a figura pública e privada dos jornalistas, transformando alguns em estrelas. Essa transformação é uma resposta ao anonimato produzido com as novas técnicas de produção da noticia nas redações. “(…) pode ser que a tensão anonimato/autoria, ou o contraponto anonimato/informação da imagem que tem caracterizado a atividade jornalística contemporânea, venha também distender-se a partir do momento em que o jornal passa a partilhar, com inúmeros outros meios, a responsabilidade de informar”.

Outro ponto pode ser lembrado a partir das propostas do livro: a obrigatoriedade do diploma para exercer a atividade jornalística no Brasil. Qualquer um pode escrever um texto, mas não são todos que saberão transmitir a mensagem. O jornalista é o meio entre a informação e o público, ele é responsável por traduzir a realidade, de forma que todos possam compreendê-la. Não adianta contratar, por exemplo, um analista de sistemas para escrever sobre informática se ele não souber traduzir as informações técnicas que possui para o leitor não especialista. O diploma é importante. É na academia, e com experiência profissional que um bom jornalista é formado.

Alguns filmes citados no livro:

Jejum de Amor

Jejum de Amor

Blow up – depois daquele beijo

Blow up - depois daquele beijo

King Kong

Max Headroom

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.