O preço de uma verdade (Original Shattered Glass, 2003). Estados Unidos, Billy Ray. Filme.
Por Fabíola Abess
Rubens Edwald Filho não estava completamente errado quando afirmou que o filme O preço de uma verdade era para um público de poucos. Ao longo da resenha crítica, virá a explicação. O filme pode ser classificado como o gênero não oficial ´´filme de jornalista´´ citado pela Professora Stela Senra, no livro O último Jornalista – imagens de cinema, livro lançado em 1997 que não incluiu O preço de uma verdade, mas faz uma análise de oito filmes que tem o jornalista retratado pela cinematografia a partir de uma captura da realidade.
Shattered Glass é vidro quebrado em português, no título original do filme, uma simples definição do que pode acontecer com quem fere os princípios éticos de uma profissão. O mundo dos jornalistas é tão importante quanto os outros mundos de profissões que lidam com produtos palpáveis, como a medicina e o direito. Ambas lidam com o ser humano e o jornalismo não é diferente. A notícia pode causar uma das piores mortes, que é a social, como já foi discutido em sala de aula ao longo dos quatro anos da graduação em jornalismo. O caso da Escola Base virou livro-reportagem escrito pelo jornalista Alex Ribeiro, resultado da má apuração de um caso de suposta pedofilia cometida por funcionários de uma escola infantil. Os envolvidos no caso não conseguiram se recuperar socialmente do escândalo, não conseguem emprego e sofrem de depressão até hoje.
O personagem principal de O preço de uma verdade, Stephen Glass, também é narrador, jornalista em início de carreira entre 1997 e 1998 forja 27 matérias de 47 publicadas pela revista The New Republic, teve uma ascensão tão rápida quanto o declínio. O filme não foi tão bem aclamado pela crítica e é conhecido pelo circuito dos filmes acadêmicos. O drama acontece durante uma aula, na qual o personagem principal imagina e narra todos os acontecimentos da trama
O preço de uma verdade é privilégio de poucas locadoras em Manaus, lançado em 2003, foi produzido pelo ator Tom Cruise e dirigido por Billy Ray. Stephen Glass, interpretado por Hayden Christensen tem pouco a ver com o original, que de galã não tem nada. Glass é a personificação do profissional que faz tudo para subir na carreira o mais rápido possível sem se importar com as conseqüências. Inventando fontes, criando situações e personagens, conseguiu burlar o rigoroso sistema das empresas jornalísticas norte americanas. O Stephen do filme era o sujeito ´´engraçadinho´´ da empresa, que no momento de crise teve o apoio dos colegas, que diziam que as mentiras de Glass eram apenas um deslize. A máscara cai no momento em que o concorrente Adam Penenberg da revista especializada em tecnologia, Forbes digital, sendo pressionado pelo editor por ter deixado de cobrir um fato incomum, que resultou em mais uma das sensacionais reportagens do jornalista Stephen Glass, o caso do hacker de 12 anos que foi contratado pela mesma grande empresa de informática a qual invadiu o site.
O preço de uma verdade deveria ser exibido em todas as classes do curso de jornalismo e servir de reflexão para os novos profissionais que entram no mercado, até mesmo porque o cenário do Jornalismo Baré tem os seus Stephens espalhados pelas redações.
Independente das falhas de direção de arte, escolha do ator para interpretar o personagem principal e supervalorização de alguns acontecimentos como os ataques de histeria no filme, é uma boa sugestão para refletir mais sobre o jornalismo que tem sido feito nesses anos dois mil. Nesse mundo de jornalistas ´´sentados´´ e ´´em pé´´, onde o deslumbre e as facilidades podem corromper os desavisados, na definição de Clovis Rossi em O que é Jornalismo, da coleção Primeiros Passos. A ascensão pode ser rápida para os espertos, mais a queda é irreversível para alguns. O personagem principal na vida real morreu como jornalista, mas deixou um legado de 47 histórias de ficção, publicou o livro ´´The Fabulist´´. Ironicamente, hoje, Stephen Glass é advogado ■


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