Por Alana Santos e Fabíola Abess
NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Papirus, Campinas, São PAULO, 2005.
O livro faz uma abordagem geral sobre o cinema documentário: conteúdo, forma, tipo, política, definições e implicações éticas, além de um mundo contextualizado pelo cineasta.
O cineasta não garante uma separação entre ficção e documentário. Alguns filmes utilizam práticas associadas à ficção, como: roteirização, encenação, reconstituição, ensaio, interpretação, filmagens externas, não atores, câmeras portáteis, improvisação e imagens de arquivo (imagens filmadas por outra pessoa).
Forrest Gump, Truman Show “o show da vida”, EDTV e A Bruxa de Blair constroem suas histórias em torno da premissa subjacente ao documentário: o fascínio.
“testemunhar a vida do outro como se eles pertencessem ao mesmo mundo histórico a que pertencemos”
Em A Bruxa de Blair, o fascínio não se prende apenas na combinação das convenções do documentário com o realismo sem artifícios de câmera portátil, ele também utiliza os canais promocionais e publicitários (como sites e a mídia em geral) que cercam o filme e ajudam a preparar o público para a recepção.
A tradição do documentário está enraizada na capacidade de transmitir uma impressão de autenticidade:
“Quando acreditamos que o que vemos é testemunho do que o mundo é, isso pode embasar nossa orientação ou ação nele. […] A propaganda política, como a publicidade, também se funda na nossa crença em um vínculo entre o que vemos e a maneira como o mundo é, ou a maneira como poderíamos agir nele. Assim fazem muitos documentários, quando têm a intenção de persuadir-nos a adotar uma determinada perspectiva ou ponto de vista sobre o mundo”
O autor não pretende fazer uma cobertura abrangente e equilibrada dos vários cineastas, movimentos e características nacionais importantes do gênero ao longo de história. As obras escolhidas são exemplos para a discussão da realidade, que constitui a matéria-prima do documentário.

